Brasil é prioridade nos investimentos do grupo ABB

2010-03-23 - Gigante de infraestrutura estuda novas oportunidades no país e enxerga com otimismo a consolidação do mercado de energia.
Fonte: Brasil Econômico - 22/03/2010

Por Priscila Machado

Em meio a tantos projetos de infraestrutura que estão em vias de consolidação no país, a ABB se destaca como denominador comum. Fornecedora de
gigantes como Petrobras, Vale e Eletrobrás, a maior construtora de redes elétricas do mundo avança sobre o desafio de atender uma demanda crescente. As concessões que movimentam o mercado fazem do Brasil o principal foco para os investimentos do grupo.

Na entrevista a seguir, o presidente da ABB no Brasil, Sérgio Gomes, destaca como a companhia pretende aproveitar as oportunidades que se abrem para os próximos anos.

Como a ABB assiste à movimentação atual no setor de energia no Brasil?

O nível de oportunidade nesse momento no país é enorme, tanto na parte de infraestrutura como nos setores industriais, seja mineração, petróleo, óleo e gás. Em termos de tecnologia estamos bem posicionados. Somos fortes justamente nas áreas de investimento nas quais começamos a ver hoje no país um crescimento ainda maior do que o dos últimos anos.

De que forma a empresa está se preparando para aproveitar essas oportunidades?

Temos uma forte presença local, pessoas muito qualificadas e, se necessitarmos de recursos adicionais, temos acesso a recursos da ABB em qualquer lugar do mundo e a disposição de fazer qualquer investimento que seja necessário para aproveitar essas oportunidades. É isso o que nós temos na mão
para atender o que vem pela frente. E temos ambição.

Dos projetos emvias de seremaprovados, quais são os prioritários para a ABB?

Nós começamos a falar do leilão de Belo Monte em dezembro. Também temos expectativa para Teles-Pires (projeto hidroviário). No trem-bala, com certeza, vamos participar da parte elétrica, mas isso também no seu tempo. Há muitas oportunidades teóricas no mercado que precisam se concretizar, mas à medida que elas se confirmarem não será por falta de disposição do grupo ABB de investir que vamos perder.

Para a execução desses projetos a empresa deve trazer novos produtos para o país?

Além da adequação de equipamentos nessas áreas, estamos trazendo a tecnologia HVDC (corrente contínua em alta tensão para longas distâncias) para a implementação da obra do Rio Madeira.

Com a fluidez das concessões em infraestrutura, qual a perspectiva quanto à retomada do mercado industrial?

Há uma demanda por eficiência energética na qual a gente também atua forte. O sistema elétrico está ficando antigo e há a necessidade de remodelar, principalmente quando há queda de energia. Outra tecnologia que a ABB dispõe e que cada vez mais tem se tornado um requisito do mercado são as redes inteligentes, que possam gerenciar de forma estável a energia de fontes alternativas.

Qual é a posição do Brasil dentro do grupo ABB hoje?

O Brasil se encontra entre os 15 maiores países do grupo—a ABB atua em mais de 100. O país é, claramente, o foco da companhia hoje, dividindo a atenção
com a Índia. Nosso CEO (Joe Hogan) passou recentemente uma semana aqui, visitando diversos clientes. Daí você vê o grau de interesse. O otimismo
do grupo é, sem dúvida, muito grande, obviamente olhando para as oportunidades que se colocam. Podemos, inclusive, trazer mais recurso do próprio
grupo para o Brasil.

Está nos planos da companhia alguma aquisição ou construção de novas unidades?

Nós aumentamos nossa capacidade pensando nisso. Estamos analisando e, dependendo de como estiver o mercado, podemos ter investimento orgânico
ou não. Do jeito que vai, com certeza temos de pensar em ambos, falta pouco para o cenário ficarmais concreto.

A ABB, fruto da fusão das gigantes Asea e Brown Boveri, em1988, tema sua trajetória ligada às diversas fases no desenvolvimento do Brasil. A história do grupo no país teve início em 1912, quando, ainda com o nome de Brown Boveri, forneceu o equipamento elétrico para o primeiro bondinho do Pão de Açúcar, cartão-postal da cidade do Rio de Janeiro. Em1954, a Asea instala-se na cidade de Guarulhos, em São Paulo, inaugurando sua fábrica de
transformadores. Em 1976 entra em operação, em Osasco, a fábrica demotores elétricos. A nova unidade propiciou a participação da ABB no fornecimento
de trens para a Fepasa.

Antes disso, em1971, a Brown Boveri havia fornecido todo o sistema de alimentação elétrica do metrô paulista. A trajetória do principal executivo da companhia também está totalmente vinculada à história da própria empresa. Sérgio Gomes entrou na ABB em 1981, como estagiário, e ocupou diversos cargos, passando por vários países, até se tornar o presidente do grupo no Brasil, em 2005.

Novas demandas geram expansão

O crescimento operacional da companhia no Brasil deve continuar acima de 15% ao ano A ABB se prepara para atender as novas necessidades do mercado energético do país. Além dos projetos de infraestrutura, principais responsáveis pelo faturamento de US$ 1,13 bilhão da empresa no Brasil no ano passado, a retomada da indústria deve garantir novos ganhos.

Na avaliação de Sérgio Gomes, presidente da ABB, o consumo está retomando e deve ocupar a ociosidade que foi criada nas empresas. “Daqui para frente elas vão voltar a olhar para a expansãona produção”, avalia. Nesse contexto, aponta Gomes, as responsáveis pela distribuição estão definindo
seus investimentos em modernização e do lado das transmissoras há a preocupação de remodelar o sistema atual.

O executivo destaca a demanda gerada com o uso de fontes renováveis. Por serem instáveis, já que estão sujeitas ao clima, necessitam de equipamentos
que levem essa energia para as redes do país de forma controlada. O uso da tecnologia HVDC (corrente contínua em alta tensão para longas distâncias),
trazida ao país pela ABB, tambémdeve avançar comprojetos de interligação com outros países e a expansão das hidrelétricas na região Norte do Brasil.

A companhia também aposta no segmento de ferrovias para desenvolver novos negócios no país. A ABB retomou a atuação nesse mercado em 2009, por meio de contratos de modernização de linhas do metrô paulistano. O presidente da ABB acredita que em 2010 a empresa vai manter o nível de crescimento
no Brasil, que foi de 16% a 17% nos últimos cinco anos. O país deve se consolidar como prioritário para o grupo.

Ele citou a previsão de Joe Hogan, CEO da companhia, de que os investimentos no país, nas áreas onde a empresa atua, devem continuar
acelerados. “Essa é a visão do chefe, agora você imagina se nós estamos dormindo aqui em berço esplêndido. Nós nunca fomos tão requisitados pelamatriz como nos últimos seis meses”, diz.

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