Energia garante retomada da ABB

2017-02-10 - Fonte: Valor Econômico

A atividade do segmento de transmissão de energia impulsionou os resultados do grupo suíço-sueco ABB no Brasil no quarto trimestre do ano passado, ajudando a compensar o baque na demanda sentido nos trimestres anteriores. Em entrevista ao Valor, o presidente da ABB no Brasil, Rafael Paniagua, disse que as encomendas subiram 36% nos últimos três meses de 2016 na comparação anual, refletindo justamente a procura por equipamentos nessa área do setor elétrico.

Com isso, a fabricante, especializada em tecnologias de energia e automação, fechou o ano com faturamento de R$ 2,1 bilhões no país, queda de um dígito na comparação com o resultado de 2015. Desse montante, cerca de 20% correspondeu a ganhos com exportação de equipamentos.

Neste ano, a ABB aposta na continuação do crescimento como fornecedora no segmento elétrico. "Crescemos muito com transmissão de energia. Os leilões deram certo, agora haverá novo leilão. Seguimos acreditando que muitos investidores vão entrar nessa área", disse Paniagua.

"Esperamos reverter a queda [de faturamento] em 2017. Transmissão vai trazer oportunidades, e confiamos também em energias renováveis e em algumas indústrias, como bebidas, eletrônica, química e mineração", afirmou. Um dos grandes negócios da ABB em transmissão foi, logo no início do ano, a obtenção de um contrato de US$ 75 milhões para fornecer 14 transformadores conversores de corrente contínua para o segundo linhão da hidrelétrica de Belo Monte, que está sendo construído pela chinesa State Grid.

O segmento de equipamentos para geração de energias renováveis também ajudou nos resultados da empresa no ano passado. "Temos ainda um 'pipeline' de eólicas para 2017", disse Paniagua. A partir do ano que vem, porém, com a falta de novos leilões de energia renovável, a empresa ainda não tem encomendas na área.

Ainda na área de renováveis, a ABB aposta na expansão da geração distribuída, principalmente com geração solar fotovoltaica.

"Os indicadores de confiança dos investidores estão melhorando, mas ainda faltam as encomendas. Esperamos que elas venham depois desse momento", disse Paniagua. O executivo lembrou, por exemplo, que grandes indústrias, como as siderúrgicas, ainda estão com grande capacidade ociosa e podem ser um mercado potencial para equipamentos da ABB. "Os empresários estão cada vez mais preocupados com temas como produtividade e segurança", disse.

As novas concessões de aeroportos e portos que devem movimentar o mercado em 2017, como parte do Programa de Investimentos e Parcerias (PPI), também são possíveis alvos para a empresa, que enxerga oportunidades em todos os segmentos que possam ter ganhos com maior automação.

As privatizações das distribuidoras de energia da Eletrobras também podem trazer oportunidades de negócios nessa área. No entanto, a concorrência deve ser grande, pois muitos investidores devem ser estrangeiros, aumentando o escopo de possíveis fornecedores, explicou Paniagua.

A ABB atua em quatro divisões: produtos de eletrificação, robótica (inclui fabricação de motores e conversores), automação industrial e energia (equipamentos para transmissão e geração).

No Brasil, a empresa tem cinco fábricas, sendo três no interior de São Paulo, uma em Minas Gerais e outra em Santa Catarina. A empresa está ainda posicionada em outros países na América Latina, como Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Equador, Peru e Uruguai.

O resultado global da companhia, divulgado ontem, foi impulsionado pelo segmento de energia e pelo avanço nos mercados dos EUA e da China. A ABB teve lucro líquido de US$ 1,9 bilhão no ano, alta de 2%. A receita, porém, recuou 5%, para US$ 33,8 bilhões.

As perspectivas são de que este ano será, globalmente, de transição, refletindo algumas incertezas, como a saída do Reino Unido da União Europeia e as tensões geopolíticas no mundo todo. Os sinais macroeconômicos nos EUA são positivos, diz a companhia, que espera continuidade do crescimento da economia da China.

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